segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Sair-me

Mais sincero do que penso
Mentiroso do que falo

Perdido numa esquina
A procura dos restos
Das migalhas que fora

Propenso ao que penso
Que penso e me calo

Perdido numa escura
Feito dejeto da loucura
Bactéria me agora
Expelir-me feito escarro.

Recuerdos

Manhã de um dia nublado
A noite não acabou
No radio um velho tango
Recuerdos de um quebranto
Do amor que findou

Noite passada estivestes
A rolar em minha cama
Mas tao logo sumistes
A deixar a pior dor que existe
No peito de quem te ama.

Basta

Basta-me lembrar o que não quero
Basta-me masoquista a dor
Basta-me o frio do inverno
E do inferno o calor

Basta-me o vazio do escuro
Onde a luz não ousa
Basta-me impuro,
Insulto, a solta.

Perdão

Teu olhar triste
É tão triste
Tua dor
É visceral

Peço perdão por não ser
Não sou o remédio
Pra tudo que te aflige
Na verdade a causa
De todo mal

Meu Desejo

Se meu desejo fosse inteiro relevante
Seria um erro revelá-lo assim
Já que palavras não expressam nem de longe
O derradeiro de um semblante
E a beleza do porvir

Hoje não é

Hoje a insistente dor de cabeça não passa
Hoje aflora uma decepção em minha alma
Hoje não creio nas verdades
E nem discordo das mentiras

Acordei com uma saudade de tudo
Mas um tudo que é nada
Um tudo que nunca tive

A música perdeu o ritmo
A poesia seu louvor
O paciente a esperança
A adolescente o amor

Hoje é dia pra se esquecer
Um dia que não nasceu
Um belo dia pra morrer
O meu dia de ateu

Solto na noite

A noite me perco
Em desejos fúnebres
Sinto-me tão louco
E quase eterno

Inocente dos crimes
Que eu tanto desejei
Entregue aos vícios
E ao bel prazer

Não a culpa alguma
Nem medo, nem nada
O escuro é um abrigo
Ao grande vazio
Infinito da madrugada